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25.8.05

Post Requentado


- De quem é essa perna? E esse braço? Tá tudo tão entrelaçado.

- Peraí, levanta aqui um pouco pra eu poder coçar meu pé. Me ajuda aqui. Isso, ai que bom!

- Meu braço travesseiro tá meio dormente...

- Se quiser, põe pro outro lado pra descansar. Peraí que tá puxando meu cabelo, ai. Pronto. Xô colocar meu cabelo pra cima, assim você não puxa mais.

- Mas seu cabelo tá fazendo cócegas no meu nariz!

- Ai jisuix, calmaê. Assim tá legal?

- Tá, ficou ótimo.

- E esse meu braço que tá sobrando? De vez em quando imagino como seria ótimo se os braços fossem removíveis e reencaixáveis - esse que fica embaixo, não sei se ponho pra trás ou pra frente, mas pra frente fica muito tronxo! Achei! Assim tá maravilhoso. Ih, caiu o edredon, e agora?

- Putz, vamos ver se a gente pega - estica a mão aí, tá quase, hhhrrrrrrrrr, deu. Mas põe ele pra lá.

- Você tá com calor? Eu tou com frio!

- Ah, eu te esquento, não vamos nos cobrir não, please!

- Mas eu gosto tanto de ficar coberta... Tá, tudo bem, então me esquenta muito.
Pô, mas se você me apertar assim eu fico sem ar!

- Meroiô?

- Assim tá bem melhor.

- Chega um pouco pra lá que eu tou na beira da cama.
Agora sim. Hmmm, essa posição tá perfeita: não se mexa!

- Mas agora eu quero fazer xixi...

Postado por Babe Lavenère Bastos

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17.8.05

Eu leio meu livro todos os dias no café perto do meu trabalho. Hoje me disseram uma coisa engraçada. Fiquei parada sem entender, só depois caiu a ficha. Mas não posso falar, não sei quem lê esse blogue além das pessoas que eu sei que lêem. Eu sento cada dia numa mesa diferente e as pessoas que vão lá são quase sempre as mesmas, sentadas a cada dia numa mesa diferente. O vento todo dia vem levar os guardanapos, os saquinhos vazios do adoçante do meu café carioca e a lata de refrigerante quando já está vazia. Também espalha toda a cinza do cigarro e eu fico na maior agonia com o vento.

Sou friorenta. Basta uma brisa pra eu me arrepiar. Às vezes penso que isso não é frio, penso que é medo, por que não está frio, é só o vento que passa. Às vezes penso que é medo de sentir. É, medo de sentir. Sentir mesmo que seja só o vento passando na minha pele. Sempre imagino que deve ser muito confortável não sentir. Mas não gosto de pensar e nem falar isso. Não gosto por causa de uma certa superstição que me ataca que é a de que as coisas que eu penso que devem ser legais de fato aconteçam. Essas coisas que eu realmente não gostaria que acontecessem. Deus me livre não sentir! Mas também não acredito em deus. Eu quero sempre sentir, mas acho que tenho medo. Vai entender.

Lá no café vendem-se revistas, mas nunca vi ninguém compra-las. Muito estranho. Não me importo com isso, na verdade, só penso que coisa tão estranha que é. Eu leio o livro que eu mesma levo. As pessoas, no geral, não lêem, elas conversam muito, muitas coisas. Esses dias tinha um pessoal falando de passagens aéreas e malas e São Paulo e Rio de Janeiro. Outro dia era sobre caixas eletrônicos, e ainda teve uma vez que ouvi falarem de carros. Outras coisas não consegui ouvir, ou não me lembro, ou não registrei por não terem me chamado a atenção.

Eu uso para marcar a página onde parei de ler, um marcador que fiz dobrando um papel de comprido. Encapei-o com um plástico grosso, mas antes escrevi dos dois lados "marcador". Eu, quando tiro o marcador pra ler o livro não deixo que as pessoas o vejam. Tenho medo que elas pensem que sou louca. Quem escreve "marcador" no marcador de livro? Talvez eu estivesse me lembrando da doença do esquecimento que assolou Macondo. Sei que todas as pessoas cometem suas loucuras. É normal. Tem umas loucuras que são mais bonitas que as outras. Tem umas das quais as pessoas até se orgulham e contam a todos que as têm. Tem outras que são apenas loucuras, e tem as loucuras ridículas. Não sei em qual tipo se enquadra a loucura do meu marcador de livros. De qualquer forma é só um marcador de livro e uma loucura inofensiva, certamente.

Antes eu me sentava na padaria para ler, estudar, desenhar ou contemplar a rua no meu intervalo do trabalho. Mas nas mesas de lá bate muito sol e as abelhas me aborrecem um tanto. Por isso mudei para o café. E o pessoal que trabalha lá é legal. São todos muito simpáticos.

De um lado vento e do outro sol e abelhas. As abelhas em volta da gente se tornam muito incômodas. Queria que nunca chegassem abelhas perto de mim. Eu as acho bonitas, mas não quero que fiquem perto de mim. O que fazer com as abelhas que incomodam as pessoas nas padarias?

A ecologia não é uma verdadeira ecologia. Pelo menos não na maioria das vezes. Quando se preserva a natureza é para o nosso próprio bem. Puro interesse. Mas que mal há nisso? Há algum mal, mas eu não sei dizer. Não, confesso que eu desejaria não dizer por que me parece idiota e também porque eu não pensei muito bem para conseguir formular o que penso em palavras. Mas eu acreditaria com profundidade no que eu diria se eu conseguisse dizer, ao menos em parte de mim. Há mal nisso. Se pudéssemos acabar com tudo aquilo que nos incomoda na natureza, ou apartar de nós as suas coisas que nos causam transtornos, e ainda assim preserva-la de maneira que pudéssemos sempre existir confortavelmente, o faríamos. Pelo menos eu acho que eu faria. Não sei. Não tenho pena de barata nem de mosquito, por exemplo, só não mato baratas porque tenho pavor de chegar perto delas. Mosquitos eu mato sem titubear. Mas como eles são abundantes! Nunca se pensou em alertar a humanidade para o perigo de extinção das baratas e das muriçocas. Os insetos, principalmente esses bichos que voam, ao mesmo tempo que me repelem me atraem intensamente. A borboleta, por exemplo, como é bela e feia! Lindas asas e uma cara tristemente asquerosa. Mas eu não desejaria não ter mais sol e nem vento. E as baratas, os mosquitos e as borboletas seguramente são importantes na cadeia alimentar, e além do mais, são numerosos - aí está o seu poder. Me dá raiva ao mesmo tempo que alguma ternura por eles, quando vejo biólogos ou outros "ólogos" atirando dardos de tranqüilizantes em animais, prendendo-os e tatuando-os ou prendendo-lhes chips ou marcadores, para que possam rastreá-los, e assim, acompanhando suas vidas, ajudar a preservar essas espécies. Fico pensando se os seres humanos estivessem em perigo de extinguir-se e então pegassem-nos de tal maneira para preservar-nos, que terrível seria. Ah, estou com preguiça de pensar nessas coisas é sempre pouco pensar nisso - sempre tem coisas a mais para se considerar.

Bom, mas prefiro, além do clima, o café que tomo no café. É feito na hora e eles ainda me preparam um bem fraquinho porque esses cafés expressos são fortes demais para o meu gosto. Na padaria o café é de garrafa e ainda por cima, certa vez fui tomar o meu café sem açúcar e ele era com açúcar - e muito.

Postado por Babe Lavenère Bastos

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+ temp. Sussu