19.12.05
Porque a chuva chove meu pensamento e meu pensamento chove no molhado. Minha Brasília, minha cidade úmida de novembro a março. Minha cidade com cheiro de terra molhada. Chove em Brasília e todos parecem chover também.
É mais a chuva que causa a sensação de continuidade, de momento inacabado, perfeito, do que o corpo propriamente. O corpo, finito, definitivo. As próteses são pensamentos, desejos, fantasias, mentiras, crenças - talvez até mais importantes que essa definição que é a carne, essa exatidão, essa positividade do que pode se tocado e evidenciado.
A partir do corpo se imagina um mundo inteiro e a chuva é o mundo inteiro, já, indefinida, infinda. Deixando cair suas premissas nas curvas estiradas dos meses, esquinas, becos, todos os lugares, e com que independência! Frases completas, sem arestas, imensidão de amor que se experimenta, mas não tem medida e se apresenta em múltiplas possibilidades.
A água plástica moldando-se sem fim ao que quer que seja e os espíritos aquáticos e seus sentimentos - água, água, água, chovendo!
Postado por Babe Lavenère Bastos
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16.12.05
Vejamos...
Tudo na vida é oráculo.
Todas as coisas se podem ler -
O que está dentro é o que está fora de você.
É oráculo o que se ouve,
É oráculo o que se vê,
É oráculo a brisa súbita que passa e te faz tremer.
O gosto imprevisto que surge,
O perfume surgido do nada,
O que se sente sem razão, a princípio, que possa ser explicada.
Oráculos sem misticismos,
Textos escritos instantaneamente -
A comunicação de seu coração com a sua mente.
Ah, é...
À procura de rima, ta ta ra ra ta tá. Mas, vou consertar, sem rima, porque essa arte não é minha. Mas deixo aí em cima a tentativa (nada é em vão, bão-ba-la-lão). Melhor falar por mim: o que está dentro é o que está fora de mim. É oráculo o que eu ouço, é oráculo o que eu vejo e a brisa que me faz tremer. A comunicação do meu coração com a minha mente.
Oráculos soltos (Leia-se em qualquer ordem, se quiser)
Tanta água, tanta água. Minha alma encharcada d'água.
Na multidão de mim muitas palavras, pensamentos tantos,
Um sentimento só, prismado em vários feixes.
Explosão de cores sentimentos.
E tem a borboleta que passou, tanta chuva que caiu,
Os desenhos no papel manteiga do bar.
Meus planos de instituir a alegria,
De enxergar a beleza.
A invenção do contentamento.
Eu quero ser feliz, quero ser triste.
Uma anestesia de vez em quando...
Quero viver! E é de querer?
É bastante razoável querer viver quando se vive.
Como uma onda do mar querer ser onda do mar.
Eu quero respirar!
Quero que meu sangue corra nas minhas veias e nas artérias!
Quero que meu coração bata!
Força de vontade - eu tanto quero viver, que vivo deveras.
Às vezes posso ver a vida em quadros,
Pulando de lá pra cá sem ordem pré-determinada.
Quando eu tinha 35 anos e depois quando tiver meus 7 completos.
Hoje, com sei lá quantos, uns mil, uns dois e meio.
Como era mesmo o que aconteceu no futuro? Não me lembro...
O que acontece no futuro?
Como é mesmo que eu agi quando estiver lá?
Não há direção.
Não é linear!
Transpasso os passos.
Subvertamos o Tempo!
Subvertamos!
(bilhete)
Passarinho,
Amanhã você foi lindo. E ontem, quem seremos eu e você?
O abraço longo dessa noite que passou está delicioso, mas no café da manhã, aí, era ontem de novo.
Vamos inventar uma vida boa pra ter sido? Me convida pra ir à sua casa? Deixa a porta aberta ontem, hoje, amanhã?
Um beijo com jeito de riso, pra sentir, se lhe agrada.
Flor.
Postado por Babe Lavenère Bastos
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12.12.05
Postado por Babe Lavenère Bastos
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4.12.05
Despertar
(Divagar quase pairando)
Hoje amanheceu segunda-feira,
E as pessoas amanheceram neste lado do mundo.
Não havia música para alguns,
Para outros estava tudo repleto de canção.
No amanhecer da segunda-feira fria de aqui não houve canção,
Mas agora há um som a se espalhar pela manhã
Deste dia que só não é qualquer porque é o dia em que todos vivem.
O meu sabiá canta lá fora neste instante.
Este instante é o presente,
O instante único em que se vive.
Como é estranho pensar sobre o presente.
No instante em que penso ele já passou,
E o futuro, que nunca há, já veio e transformou-se em momento,
E transformou-se em acontecido.
Já não existe mais.
O presente, esse átimo, o futuro, só idéia, o passado, lembrança pura.
O que é que existe?
E existir, o que é, então?
Parece que tudo quanto existe são as mentes a pensar e elaborar coisas o tempo todo.
Segunda-feira.
Um nome para agora e estas horas que virão até a noite.
O tempo do qual cuidamos, um esquizofrênico.
Criamo-lo assim cheio de nomes e características.
E assinalamos o que se fazer dele a cada nome que passa.
E nos enchemos de circunstâncias e afetividade e pensamentos
Ou de tédio ou de alegria ou de confusão ou de paz ou de normalidade.
Só podemos sabê-lo por suas marcas,
Seus vincos deixados no irmão siamês,
Palpável.
Espaço, esse "tempo materializado".
Tempo, esse espaço diluído.
E a vida,
Que não se pode dizer exatamente em que consiste,
A segunda-feira amanhecida assiste.
Postado por Babe Lavenère Bastos
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