20.9.06
Carta antiga, revivida, sem memória da data. A data é faz tempo e é uma carta resposta.
Verdade.
Eu só queria lhe falar algo, que de tão dito chega a ser banalizado, sem que você o lesse com olhos banais. Emudecemos por que algumas coisas parecem golpes fatais e nos fazem ter medo de algum comprometimento. Mas que comprometimento é esse? E pra quê serve esse medo, pra emudecermos? Deveríamos aprender, talvez, mais sobre a leveza do ser, essa leveza na qual não acreditamos, por pensarmos que não podemos sustentá-la, mas que se mostra aqui e alí e que então nos surpreende por ser tão simples e boa. Nossa crença no peso é maior, está pregada, e negamos a leveza como quem dispensa uma verdade singela em troca de uma mentira enfeitada.
A minha lua em touro é algo que você sabe de mim mais do que eu mesma, que nada sei dizer dela.
Sobre sonhar e ser sonhado, é quase uma especialidade, mas talvez eu esteja exausta de sonhar tanto porque eu vivo sonhando tanto e porque as pessoas desejam ser sonhadas e eu desejo vivê-las mais do que em sonhos.
E nem sei se depois de te mandar esse mail vou pensar que deveria ter enviado um mais leve e simples. Estou quase segura que sim. Mas que importa? As palavras simples cá estão e você saberá quais são e como encontrá-las.
Sinto um desejo quase insuportável de emudecer e escrever qualquer coisa pequena, mas é preciso ter mais coragem. É que tenho medo de parecer grave demais e até melodramática, por quê muitas vezes quando escrevo assumo esse tom, como se não soubesse ser de outro jeito. Quando falo acho que sou diferente. Pareço outra, talvez aquela que você viu lá no Parque Lage.
Postado por Babe Lavenère Bastos
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